terça-feira, 2 de novembro de 2010

O último adeus.

O sol já se punha no horizonte deixando no céu manchas rosas-avermelhadas que davam um clima romântico na cena, se não fosse ela uma despedida.

Por que a vida não é justa? Acho que era o pensamento que pairava sobre ambos naquele momento. Pelo menos era o que estava inundando a minha cabeça e impedindo-me de pensar em qualquer outra coisa.

“Oras, sua boba, aproveite o momento, sabe-se lá quando terás essa oportunidade de novo” Mas recusa-me a acreditar que não o teria, que seus braços não me envolveriam e seu riso não acalmaria meu coração. Que ele me deixaria e, pior, eu o abandonaria.

O pesar dentro do meu coração deixava tudo mais triste, sentia uma dor, enorme, que deixava um grande vazio no meu peito. Algo que me dragava para o fundo de um mar escuro, de onde não sei se conseguiria sair. Senti vontade de socar, bater, qualquer coisa ou até mesmo qualquer pessoa que aparecesse na minha frente naquele momento. Venderia a minha alma se necessário, só para fazer com que ele ficasse ali pra sempre.

O céu foi tornando-se mais vermelho, e foi para lá que nossos olhos se voltaram.

“Nossa! Como o céu está bonito não?!” Deixei escapar, eram as únicas palavras que estavam na boca além de toda a tristeza do momento e de toda a dor da partida. A verdade é que queria dizer para ele não ir, para ficar ali para sempre. Eu não seria a mesma depois que ele se fosse, pois ele levaria uma parte de mim e durante a sua ausência eu ficaria incompleta.

“É o nosso presente de despedida” Ele abraçou a minha barriga e apoiou a cabeça no meu ombro.

E se ele não voltasse? Meus olhos se perderam no vazio de idéia dele não voltar. Fitei o chão para ele não ver as lágrimas que se formavam. O abraço tornou-se mais apertado, a hora estava chegando. Ele me virou, sustentamos o olhar como se nunca mais fossemos nos ver. Ele também tinha na cabeça a idéia de se não voltássemos a nos encontrar, e isso o perturbava. Nos abraçamos. Um abraço longo que pareceu anos, ou talvez toda a eternidade.

Fechei o portão sem temor, mas olhei para trás para ver o que estava deixando. Ele ainda me olhava, um olhar perdido, um olhar desesperado de alguém que perdeu o chão, perdeu o sentido. Parei na sacada para um último adeus.

“Adeus, mil vezes adeus meu Romeu.”

“A despedida é uma dor tão doce que eu poderia te dar adeus até que já fosse dia, minha Julieta” Parafraseamos nossos heróis, aqueles que não trocaram o amor por nada.

Enquanto o via partir não contive as lagrimas que escorriam minha face. Olhei uma ultima vez para o céu, o vermelho estava bem fino no horizonte. Guardei aquela cena fundo na memória e pensei É...é um belo presente de despedida..