segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Broken Wings

Eu senti que eu tinha assas
E com elas eu podia voar
Já sentia o vento no rosto
Só de imaginar onde elas me levariam
Visitei lugares incríveis
Senti o perfume do todas as flores
Ouvi todos os sons que o mundo reproduz
Provei todas as sensações
Eu ria com as cócegas que o vento fazia

Eu acordei...
Do meu próprio sonho criado
Tudo que existia eram penas
Jogadas pelo quarto vazio
Esse mesmo vazio que me engolia
Que me deixavam a mercê do som que me perturbava
O grande som do silêncio
As flores despedaçadas
Criavam a cena dos desesperados
Da imagem dos próprios sonhos
Que pisados foram esquecidos
Encolhida, agarrada as ultimas esperanças
Que teimam de sair de dentro de mim
Desacreditada, esmorecida, acabada
Queimando as lembranças
A noite me engole
E eu, sem pestanejar, a deixo me levar.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

O último adeus.

O sol já se punha no horizonte deixando no céu manchas rosas-avermelhadas que davam um clima romântico na cena, se não fosse ela uma despedida.

Por que a vida não é justa? Acho que era o pensamento que pairava sobre ambos naquele momento. Pelo menos era o que estava inundando a minha cabeça e impedindo-me de pensar em qualquer outra coisa.

“Oras, sua boba, aproveite o momento, sabe-se lá quando terás essa oportunidade de novo” Mas recusa-me a acreditar que não o teria, que seus braços não me envolveriam e seu riso não acalmaria meu coração. Que ele me deixaria e, pior, eu o abandonaria.

O pesar dentro do meu coração deixava tudo mais triste, sentia uma dor, enorme, que deixava um grande vazio no meu peito. Algo que me dragava para o fundo de um mar escuro, de onde não sei se conseguiria sair. Senti vontade de socar, bater, qualquer coisa ou até mesmo qualquer pessoa que aparecesse na minha frente naquele momento. Venderia a minha alma se necessário, só para fazer com que ele ficasse ali pra sempre.

O céu foi tornando-se mais vermelho, e foi para lá que nossos olhos se voltaram.

“Nossa! Como o céu está bonito não?!” Deixei escapar, eram as únicas palavras que estavam na boca além de toda a tristeza do momento e de toda a dor da partida. A verdade é que queria dizer para ele não ir, para ficar ali para sempre. Eu não seria a mesma depois que ele se fosse, pois ele levaria uma parte de mim e durante a sua ausência eu ficaria incompleta.

“É o nosso presente de despedida” Ele abraçou a minha barriga e apoiou a cabeça no meu ombro.

E se ele não voltasse? Meus olhos se perderam no vazio de idéia dele não voltar. Fitei o chão para ele não ver as lágrimas que se formavam. O abraço tornou-se mais apertado, a hora estava chegando. Ele me virou, sustentamos o olhar como se nunca mais fossemos nos ver. Ele também tinha na cabeça a idéia de se não voltássemos a nos encontrar, e isso o perturbava. Nos abraçamos. Um abraço longo que pareceu anos, ou talvez toda a eternidade.

Fechei o portão sem temor, mas olhei para trás para ver o que estava deixando. Ele ainda me olhava, um olhar perdido, um olhar desesperado de alguém que perdeu o chão, perdeu o sentido. Parei na sacada para um último adeus.

“Adeus, mil vezes adeus meu Romeu.”

“A despedida é uma dor tão doce que eu poderia te dar adeus até que já fosse dia, minha Julieta” Parafraseamos nossos heróis, aqueles que não trocaram o amor por nada.

Enquanto o via partir não contive as lagrimas que escorriam minha face. Olhei uma ultima vez para o céu, o vermelho estava bem fino no horizonte. Guardei aquela cena fundo na memória e pensei É...é um belo presente de despedida..

sábado, 23 de outubro de 2010

Decomposição

A carne apodrecida, putrefata
Chama os vermes para a festa
Uma vida que se extingue
Para manter tantas outras,
Mesmo que quase insignificantes.
Os olhos ainda perdidos no nada
E dos orifícios saem insetos
Que procuram onde depositar suas crias.
É o grande banquete que se inicia
quando o jogo da vida acaba.
Pode-se ver os tecidos
Os músculos, e os nervos,
Todos expostos à humilhação.
Orgulho pra quê?
Se os restos estão entregues a terra?
O que é material se esvai
e o que resta vai além da compreensão
Quando os animais se enchem
E abandonam sua refeição
Sobram-lhe os ossos,
Que são os únicos a contar a história.

sábado, 4 de setembro de 2010

Vem e...

Faça-me rir,
Num riso descontrolado
Um riso sem fim
Faça-me amar,
Um amor incalculável
Um amor maior do que o universo
Faça-me feliz,
Uma felicidade que transborda
Uma felicidade para ser compartilhada
Faça-me adorar,
Adorar a cada ser existente da terra
Adorar cada passo dado
Faça-me ficar,
Ficar em silencio quando preciso
Ficar sozinha quando necessário
Faça-me andar,
Num caminho sem rumo
Sem linha de partida ou pódio na chegada
Faça-me chorar,
Chorar por perda ou dor
Chorar de alegria se for o caso
Faça-me viver
Pois só vivendo que poderei experimentar cada sensação,
Cada oportunidade dada pela vida
Faça-me viver e viva comigo.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Amor Inexplicável

Te amo,
Sem forma, nem cor...
Sem palavras fortes e profundas o suficiente
Para descrever esse amor.
Te amo,
Sem data, nem hora...
Sem início determinado e sem fim possível
De se ver para os nossos olhos.
Te amo,
sem limites, nem fronteiras...
Porque não importa onde estivermos
O meu amor não passará.
Te amo,
E somente te amo,
Pelo simples fato de amar,
Não para ser mostrado ou até admirado,
Mas só porque cada parte do meu corpo quer te amar
E é por isso que eu te amo.

sábado, 31 de julho de 2010

Morte e vida

Está a me consumir
Chegando perto do meu coração ferido
Minhas pernas já não respondem a minha mente
Pois meu espírito já esmoreceu
Minha visão vai ficando turva
Até ficar tudo escuro
Os músculos contraem involuntariamente
E as lágrimas que escorrem pela face,
Não sei se de dor ou de alívio,
Tentam clarear o estado caótico do meu ser.
Não há motivo para resistência
Entregar-se é a única saída
Perdendo os sentidos pouco a pouco
Mergulho no buraco negro sem volta
E quando a essência se extingue
Finalmente me sinto viva.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Soneto da Esperança

Esperança
Faz-se ver nos olhos de uma criança
Que alegre corre
Sem saber onde ir.

É a mão, o braço
A sustentação da Alma
Que o vento sopra e acalma
Que espera o tempo que há de vir

A esperança nunca morre
Silenciosa não a percebemos
Mas não a deixamos fugir

Engaiolados na realidade
A esperança é uma flor que nasce
No sorriso de quem ri.